Rosa de Versalhes (2025) é surpreendente
- Lámen Otaku
- 29 de mai.
- 2 min de leitura

Fazia muito tempo que eu ouvia elogios acerca de Rosa de Versalhes (Versailles no Bara), mas trata-se de uma obra da qual eu nunca tomei a iniciativa para ler ou assistir. Foi quando em 2025, com o lançamento do remake em formato de filme, que isso mudou, e eu me surpreendi bastante.
A história se passa na França pré-Revolução Francesa e acompanha Oscar François, uma mulher criada como homem para servir na Guarda Real. E ao lado dela está Maria Antonieta, que viria a se tornar rainha da França.

A produção feita pelo MAPPA é muito mais interessante do que eu imaginava, principalmente pela forma como trabalha o contexto histórico. O filme tem um grau bem legal de fidelidade a acontecimentos reais, e isso acaba deixando tudo mais envolvente. Mesmo sendo uma obra claramente dramática e romantizada em alguns pontos, ainda existe uma preocupação em mostrar o cenário político e social da época.
E boa parte disso funciona justamente por causa da Oscar.

Ela é uma personagem extremamente bem desenvolvida, cheia de nuances e facilmente o maior destaque do filme. A forma como ela enxerga as desigualdades sociais, o sofrimento do povo e os privilégios da nobreza cria um contraste muito forte com o ambiente em que ela vive. E o mais interessante é que o filme consegue trabalhar isso sem transformar a personagem numa figura perfeita o tempo inteiro.

Enquanto isso, do outro lado da história, temos a Maria Antonieta, que recebe bastante foco principalmente na primeira metade do filme. A relação dela com a Oscar é um dos pontos centrais da obra, justamente porque as duas enxergam o mundo de formas completamente diferentes.

Enquanto a Oscar começa a perceber cada vez mais a situação do povo, a Maria Antonieta é construída como alguém extremamente presa aos privilégios da nobreza e sem muita consciência da realidade fora daquele ambiente.
E uma das coisas que eu mais gostei foi como o filme conseguiu adaptar uma obra tão grande em menos de 2 horas sem parecer totalmente corrido o tempo inteiro.
Claro que dá pra sentir que algumas coisas passam rápido demais, até porque o filme adapta praticamente toda a história do mangá. Só que a produção toma algumas decisões muito inteligentes pra contornar isso. A principal delas é o uso constante de canções para resumir acontecimentos, passagem de tempo e até sentimentos dos personagens. E, ao invés disso soar estranho, acaba funcionando muito bem dentro da proposta do filme.
Além disso, a própria narração histórica ao longo da obra ajuda bastante a manter o ritmo e contextualizar os acontecimentos, sendo facilmente um dos pontos altos da adaptação.

Visualmente, o filme também é muito bonito. O MAPPA fez um trabalho excelente principalmente nos cenários, figurinos e na ambientação da França daquela época. E mesmo sendo uma obra mais focada em drama e política do que em ação, a direção consegue manter tudo interessante o tempo inteiro.

No fim, Rosa de Versalhes acabou sendo uma surpresa muito maior do que eu esperava. É uma obra que mistura drama, política, romance e contexto histórico de um jeito que prende bastante, principalmente por causa da Oscar e de toda a construção dela ao longo da história.
O filme está disponível na Netflix e conta com dublagem em português.





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