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Sakura Card Captors (infelizmente) é decepcionante

Cardcaptor Sakura, ou Sakura Card Captors, como ficou conhecido aqui no Brasil, é um dos animes mais famosos do gênero Mahou Shoujo. E, assim como aconteceu comigo em Sailor Moon, foi uma experiência que acabou me decepcionando bastante.


Pra quem não conhece a história, o anime acompanha Sakura Kinomoto, uma garota que acidentalmente libera um conjunto de cartas mágicas conhecidas como Cartas Clow. Com a ajuda de Kerberos, o guardião dessas cartas, ela assume a missão de recuperá-las antes que elas causem problemas, tudo isso enquanto tenta manter uma vida escolar relativamente normal.

Antes de continuar, vale o aviso: este texto não terá spoilers importantes. Vou comentar apenas elementos gerais da obra e os motivos pelos quais ela não funcionou pra mim.


O anime possui 70 episódios e conta com uma excelente dublagem em português, que continua sendo uma das mais marcantes da época. Mas existe um detalhe importante: desses 70 episódios, cerca de 33 são fillers. Como eu optei por pular esse conteúdo, assisti apenas os episódios considerados canônicos. E mesmo assim a sensação foi de estar assistindo uma obra muito mais longa do que realmente é.


Esse acabou sendo meu principal problema com Cardcaptor Sakura: o ritmo. O anime é extremamente lento em vários momentos e frequentemente passa a impressão de que está andando em círculos. Existem episódios muito parecidos entre si, situações que se repetem bastante e uma estrutura que, depois de algum tempo, começa a ficar previsível.


Mas nem tudo é negativo.



Se tem uma coisa que o anime faz muito bem, são os personagens. O núcleo principal é facilmente o maior acerto da obra. Sakura é carismática, Kerberos funciona muito bem como alívio cômico e praticamente todos os personagens recorrentes conseguem deixar alguma impressão positiva.


Sakura Card Captors personagens

Curiosamente, os personagens de quem mais gostei foram justamente o pai da Sakura, Touya (o irmão dela) e o Yukito (a sua paixonite).


O Yukito talvez seja quem recebe o desenvolvimento mais interessante ao longo da história, mas eu gostaria de ter visto ainda mais do Touya e principalmente do pai da Sakura. É um personagem extremamente gentil e que rende alguns dos momentos mais agradáveis do anime.



Aliás, aproveitando esse gancho, os episódios envolvendo a família da Sakura costumam estar entre os melhores da obra. Principalmente aqueles que trabalham a memória da mãe dela. São momentos mais emocionais que conseguem sair da fórmula repetitiva da captura das cartas e acabam dando mais personalidade à série. Por isso mesmo eu gosto bastante da primeira parte do anime.


É nela que conhecemos os personagens, entendemos as regras daquele universo e acompanhamos a construção inicial da jornada da Sakura. Além de ser a temporada mais longa, também foi a que mais me agradou.



Já a segunda parte da história acabou me deixando com sentimentos mais mistos.


Ela introduz novos elementos para a narrativa e uma personagem que deveria ter um peso muito maior dentro da trama. Só que, na minha opinião, faltou desenvolvimento para algumas dessas ideias. Existem relações e acontecimentos importantes que são constantemente mencionados, mas que acabam não recebendo a atenção que eu esperava.



E aí chegamos à reta final da obra, que foi justamente a parte que menos gostei.


Novos personagens são introduzidos, novos mistérios aparecem e boa parte das revelações acaba ficando extremamente previsível muito cedo. Em vários momentos eu tive a sensação de que o anime estava tentando criar suspense para situações cuja resposta já parecia bastante óbvia.


Isso me incomodou principalmente porque a própria Sakura, que normalmente é uma personagem bastante observadora dentro da proposta da obra, parece ignorar algumas coisas que estão praticamente na frente dela.



No fim das contas, a sensação foi de que o anime poderia ter contado a mesma história em menos episódios e com um ritmo muito mais eficiente.


E isso é uma pena, porque existe bastante coisa boa aqui. Os personagens são agradáveis, a dublagem continua excelente, a primeira abertura é fantástica e vários momentos envolvendo a família da Sakura realmente funcionaram comigo.


Mas, ao mesmo tempo, o anime se alonga demais, repete situações com frequência, tem alguns desenvolvimentos que não me convenceram e termina de uma forma que me deixou mais incomodado do que satisfeito.


Por conta disso, Cardcaptor Sakura acabou sendo uma experiência muito parecida com a que tive assistindo Sailor Moon: uma obra extremamente importante para a história do gênero, muito querida por muita gente, mas que simplesmente não funcionou para mim.



Mesmo assim, ainda pretendo assistir Clear Card em algum momento. Não estou exatamente otimista, mas também não descarto a possibilidade de gostar.


E você? Concorda com essa visão ou acha que Cardcaptor Sakura continua sendo um dos melhores mahou shoujos já feitos?


Abaixo dois vídeos do canal, um sobre Cardcaptor Sakura e outro sobre Sailor Moon:



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